Idas e Vindas de Kiko – Capítulo 2

Capítulo II – Kiko mareado

“Queríamos nos lançar ao mar. Considerando todo o universo que se abriria diante de nós, quatro amigos, num barco nosso, com equipamentos de mergulho, prancha, kite, câmera… E uma fatia de conhecimento de cada um complementando um sonho ousado; dar a volta ao mundo em quatro anos, partindo do Mar do Caribe, velejando sempre rumo oeste! Batizamos a idéia: Cabeça de Vento! Os delírios e as maravilhas imaginadas logo foram se decantando na realidade prática. “Temos que consertar essa vela! Este filtro temos que trocar! Precisamos comprar aquele reposto!…” Sendo que a grana que tínhamos juntado já tinha sido torrada no próprio barco e nas passagens… Preparamos o barco na Venezuela, navegamos debaixo de alertas de piratas, a tripulação foi entendendo aos poucos o que era viver no mar. As provações duras, seguidas de deslumbres, intercalavam-se todo o tempo, fazendo com que cada dia fosse uma pequena epopéia, feita de vários tipos de emoções.

Quando o ser terrestre se vê rodeado de água por todos os lados por um dia inteiro, outro e outro… A vista procura terra instintivamente e quando a mente começa a assimilar esta nova realidade, tudo muda…

A cada ilha, cada mergulho, cada história de mar contada pelos nossos anciões, mais profundamente mergulhávamos em todos os sentidos e os livros que líamos aos bocados também embalavam nossas mentes para tudo o que era do mar. As vezes passávamos uns dias numa ilha deserta mergulhando, comendo peixes e depois rumávamos pra outra e derrepente chegávamos numa cidade! Percebíamos que já não éramos mais “seres terrestres” e que aquilo sim era uma aventura insana pra nós! Os sintomas da “babilônia”, um milhão de informações, estímulos para o consumo de coisas, comida… gente! E como não tínhamos patrocinadores, (apesar de termos tentado arranjar durante a viagem com um site e nossos vídeos) nem tanta cara de pau pra esfolar nossos pais em dívidas. Ou seja, precisávamos trabalhar para outras pessoas nestas cidades. Nos dividíamos em músicos em barzinhos, mecânicos, ajudantes de limpeza e tudo mais para salvar algum trocado para os repostos do barco. Vivemos em Los Roques (Venezuela), passamos por várias ilhas, vivemos em Curaçao, Cartagena (Colômbia), mais ilhas… e finalmente em Porto Belo (Panamá). Onde depois de sete meses de viagem, nossa história foi desviada do rumo original por alguns amores e outros desamores…

Cada um tomou seu rumo, eu voltei pra casa para preparar outra viagem, acompanhando a Clara que foi responsável pelo meu desvio em particular.

Desta vez por terra, espreitando todo o nordeste brasileiro, Amazonas e Perú durante um ano vivendo da arte que fossemos capazes de fazer…”

(Texto por Kiko Cardial)

 

 

Aguardem os próximos capítulos 🙂

 

 

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