Rússia, uma verdadeira aventura!!!

Após 6 horas de ônibus saindo de Tallinn, capital da Estônia com direito a ônibus tendo que ser empurrado para pegar no tranco, atravesso a fronteira onde já é possível perceber claramente a diferença. Sem ninguém falar uma palavra em inglês a partir dali, chego finalmente em São Petersburgo, Rússia!!! Com apenas umas anotações em pedaço de papel a aventura começa desde os primeiros segundos haha… Com as minhas anotações todas em inglês, e todas as informações nas ruas e metro em Russo, que para quem não sabe até o alfabeto é diferente, foram longas horas de mímicas, erros e acertos para chegar no albergue que tinha reservado. Chegando no albergue, já com aquela sensação de alivio achando que estava à salvo e finalmente poderia tirar todas minhas duvidas com o recepcionista que finalmente falaria inglês…. ehhhhh…. não…. não lembro de terem me perguntado “com emoção ou sem emoção” na fronteira, mas decidiram por eles mesmo a minha resposta…. hahaha…. DSC_0233 Depois de interfonar bastante, abrem a porta da “quebrada” haha…. dou de cara com um longo corredor com todas as luzes apagadas e apenas a luz do computador refletido no rosto do recepcionista ao fundo. Já esperando alguma bizarrice me aproximo da recepção, e é clarooo…. normal…. o recepcionista travadoooo de bêbado, hahaha… mau conseguia ficar de pé… ou melhor… mau conseguia fechar a janela de pornografia que estava assistindo no computador… hahahahha… e até agora não sei se ele realmente não sabia falar inglês ou só estava muito bêbado pra isso, mas no final das contas de alguma forma ele entendeu que eu tinha uma reserva e me deixou fazer o Check-in. Com esperanças de encontrar algum viajante que falasse inglês nos quartos agora pra dar risada juntos do recepcionista chapado, foi tudo logo por agua abaixo. NINGUÉM, simplesmente NINGUÉM do albergue falava uma palavra em inglês. Todos eram viajantes Russos viajando pela Rússia. O máximo de conversa que consegui tirar de alguém foi um “nice to meet you too” do chinês que assim como eu era o único não Russo de todo albergue. Pois é, logo caiu a ficha e percebi que estava “sozinho” nessa, e dessa vez sozinho pra valer… hahaha… Me fez lembrar momentos de quando logo tinha chego na Nova Zelândia sem falar nada de inglês e cada simples ação rotineira se tornava uma grande aventura. Bom, mas mesmo assim, foi dessa forma sem mapa, sem língua, sem saber ler e escrever e começo a explorar a Rússia e as ruas de São Petersburgo.

Passo só uma noite por lá e resolvo me mandar para Moscou de trem. Que por sinal fui de primeira classe (que chiqueeeee…. haha) mas não… não foi intencional… =/ Anotado em um papel: “Москва” (Moscou) e “сегодня” (hoje) foi assim que fui comprar minha passagem de trem. Não foi fácil explicar que era o mais barato que eu queria, com uma fila gigante atrás de mim e os “bilheteiros” não dos mais simpáticos. Bom…. de qualquer forma mesmo pagando bem caro, sai dela com alguma passagem e só torcia pra ser realmente pra Moscou. Hahaha… IMG_20150518_175126   Depois de 4horas de ostentação chego em Moscou. E mais uma vez começa a aventura pelas linhas de metro até chegar ao albergue que dessa vez havia escolhido bem pra ter certeza que chegando lá conseguiria me informar onde pelo menos eu poderia lavar roupa. Hahaha… Metro E simmm… pela primeira vez (e seria praticamente a última) consigo me comunicar com alguém por lá =) Fico hospedado no Vagabond Hostel, que diferente do primeiro foi um dos melhores que já fiquei. Pessoal muito gente boa, me ajudaram com tudo puderam e realmente sou muito grato a eles… inclusive a recepcionista chegou a me acompanhar até a estação ferroviária pra me ajudar a comprar minha passagem de trem para Nalchik, vilarejo em direção do Mount Elbrus. Infelizmente passo uma única noite lá e em Moscou.

No outro dia, final da tarde com a passagem de trem em mãos me mando pra ferroviária já atrasado depois de continuar me perdendo nas linhas de metro da Rússia, praticamente se fazendo de surdo, mudo e analfabeto que por sinal descobri que era uma ótima técnica de manter as pessoas mais pacientes pra ajudar, saio em busca de onde deveria embarcar. Depois de apresentar minha passagem em pelo menos uns 5 vagões e todos negarem minha entrada, finalmente acho um que me deixam entrar… agora só bastava torcer para que fosse realmente o certo =) Chegando na minha poltrona, ou pelo menos o que acreditava que fosse minha poltrona, (não tive certeza de nada em nenhum momento na Rússia… hahaha) conheço meu parceiro de assento. Um Russo que não falava uma única palavra em inglês. Descobri que era caminhoneiro pela foto que me mostrou no seu celular e ex-soldado pelas cicatrizes de tiro que tinha no braço. Foram horas de uma profunda conversa em mímica mas que no final das contas mesmo sem saber seu nome se tornamos “melhores amigos” com ele dividindo os ovos cozidos de sua marmita e brindando cervejas… hahaha

Depois de 31 horas sentado, deitado, de lado, jogado e arremessado no trem, já com a bunda quadrada chego em Nalchik, cidade onde deveria pegar uma mini van para o vilarejo de Terskol, vilarejo mais próximo ao Mount Elbrus. Apenas com o nome “Терскол” (Terskol) anotado em um papel e o caminho do Google maps para a rodoviária memorizado, desvio de todos os taxistas que insistiam em oferecer taxi para claramente o único “gringo” por lá e consigo chegar a “rodoviária” que por sinal não passava de um ponto de ônibus. Com uma única Van parada por lá, tento me informar se iriam para Terskol e sinceramente até agora não sei o que ele disse. Mesmo sem fome decido comprar uma cachorro quente com uma senhorinha na rua que parecia ser gente boa e aproveito a situação para tentar tirar alguma informação. Sem entender nada novamente, mas dessa vez com ela percebendo isso, chama um amigo taxista que faz varias anotações em um papel e me entrega. Não sabia bem o que estava escrito mas só esperava que fosse o suficiente para me levar a Terskol. A partir dali foi na base de erros e acertos, usando todo Russo que havia aprendido com a tia de minha amiga na Estônia e perguntando para pessoas na rua: “привет”(olá), “помогите”(ajuda), “где “(onde?) e “спасибо” (obrigado). A cada quarteirão que conquistava, perguntava para mais alguém e assim fui chegando mais próximo até que finalmente consegui, Терскол estava escrito na mini van e era pra lá que eu ia =)

Foram duas horas de van subindo a serra e não podia acreditar, depois de todas as estórias de violência e instabilidade política que tinha ouvido falar, sem saber mais do que 5 palavras em Russo agora estava na base do Mount Elbrus. Mas essa aventura, só no próximo post =P haha…

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